
Marilyn sobre Arthur Miller:
"- És a rapariga mais triste que conheço.
Foi o que Arthur me disse uma vez.
Sim, claro que aparece no filme. O filme é sobre nós próprios. Há alguém que não se tenha apercebido?
Eu tratava-o por Art ou Pa, às vezes por Poppy. Ele costumava tratar-me por Penny Dreadful, Sugar Finney ou Gramercy 5.
Lembro-me do dia em que anunciou que ia casar comigo. Disse-o a um jornalista, à frente de toda a gente: disse que ia casar com Marilyn Monroe. Comigo!
(...)
Hei-de recordar sempre o dia em que conheci Arthur. Foi há muitos anos. Cameron Mitchel apresentou-mo. Arthur estava acompanhado por Kazan. Chamou-me a atenção: era alto, incrivelmente alto, distinto, uma espécie de gigante desamparado e terno. E, sobretudo, muito parecido com Lincoln, não acha? Lincoln foi sempre o meu ídolo. Durante anos, tive uma foto sua na minha mesinha-de-cabeceira.
Uns dias mais tarde, viu-me no armazém do estúdio. Eu estava a chorar. Sabe o que ele fez? Sentou-se ao meu lado, pôs um dos meus dedos entre as suas mão e esteve ali, em silêncio, agarrado ao meu dedo, sem pronunciar uma única palavra, até que dexei de sentir vontade de chorar.
Foi como encontrar uma árvore."